Joseph Shafan

"Então uma voz se elevou do abismo. Era o grito da Luz"  Visão de Hermes

Textos

O QUE É PELEGO (acompanha uma Fábula de Esopo, em Língua Portuguesa).
LÍNGUA PORTUGUESA GRÁTIS XII
(acompanha uma Fábula de Esopo, em Língua Portuguesa).
Pelego, substantivo masculino, de origem do castelhano "pellejo", palavra que antigamente designava a pele de lã, pele de carneiro com a lã ou pano grosso de lã que amaciava o contato entre o cavaleiro e a sela para que um equino ou muar aceitasse os arreios  com as rédeas encilhados para submeter a montaria ao cavaleiro e disfarce do peso do cavaleiro sobre a sela, um termo adotado pelo dialeto dos Pampas ou Chaco, no Gaúcho ou Creolo abrasileirado, desde o Rio Grande do Sul Libertário nos moldes narrados por Érico Veríssimo, presente na literatura do século XIX e incluso no início do século XX, como por exemplo em Marques, Xavier in "Pindorama", vol. II, cap. 1, p. 85, ed. 1907 "[...] Quanto aos selvagens, ele os via como excelentes peças, rivais das alimárias* que forneciam 'pelegos' de valor".
O termo 'pelego' se tornou desde o Gaúcho Libertário, na origem sinonímia de 'xairel'** em sinônimo de 'traidor' e depois, no Trabalhismo de Vargas desde o Tenentismo [1930], baseado no movimento político-militar [entre 1925 e 1927) denominado "Soldados Cidadãos" "Coluna Prestes" ou "Os Revoltosos" [que em essência lutava pelo voto secreto e universal, defesa do ensino público e obrigatoriedade do Ensino Secundário público para toda a população] portanto demonizados pela Oligarquia*** no Brasil presente na história tupiniquim desde as Capitanias Hereditárias,  sendo popularizado no petebismo de São Borja (município do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina [Santo Tomé, capital da provincia argentina de Corrientes] pela margem do Rio Uruguay), por extensão virou sinônimo de traidor dos trabalhadores. Pelego então passou a ser o líder sindical de confiança do Governo que garantia o atrelamento da entidade ao Estado. Décadas depois, o termo voltou à tona com a ditadura militar e assim "Pelego" passou a ser o dirigente sindical indicado pelos militares, sendo o representante máximo do chamado "sindicalismo marrom". Em resumo, a palavra que antigamente designava a pele ou o pano que "amaciava" o contato entre o cavaleiro e o cavalo virou sinônimo de traidor dos trabalhadores e aliado do Governo e dos Empresários Patronais.

1. Pelego
Antônimos de Pelego:

amigo, compaheiro, guerreiro, lutador  idealista, companheiro de luta, parceiro, "parça", digno, honrado, "sangue-bom".

Sinônimos de Pelego

traidor, capacho, puxa-saco, sem noção, caxias, fura-greve, frouxo, submisso, baba-ovo, bajulador, traíra, quinta coluna, carneirinho (sob um som de "béééé").

Uma Fábula:

"Surgira uma séria disputa entre o cavalo e o javali; então, o cavalo foi a um caçador e pediu ajuda para se vingar. O caçador concordou, mas disse: “Se deseja derrotar o javali, você deve permitir que eu ponha esta peça de ferro entre as suas mandíbulas, para que possa guiá-lo com estas rédeas, e que coloque esta sela nas suas costas, para que possa me manter firme enquanto seguimos o inimigo.” O cavalo aceitou as condições e o caçador logo o selou e bridou. Assim, com a ajuda do caçador, o cavalo logo venceu o javali, e então disse: “Agora, desça e retire essas coisas da minha boca e das minhas costas.” “Não tão rápido, amigo”, disse o caçador. “Eu o tenho sob minhas rédeas e esporas, e por enquanto prefiro mantê-lo assim.”"

“O javali, o cavalo e o caçador”, Fábulas de Esopo

* - Alimária, subst. fem., animal irracional bruto.

** - Xairel, subst. mas., peça de tecido ou de peles que cobre o dorso do cavalo ficando por baixo do selim, do árabe "Xear" que significa "Cobertura".

*** - Oligarquia, subst. fem., um termo que tem origem na palavra grega "oligarkhía" cujo significado literal é “governo de poucos” e que designa um sistema político no qual o poder está concentrado em um pequeno grupo, assim a 'oligarquia' é caracterizada por pequeno grupo que controla as políticas sociais e econômicas em benefício de interesses próprios. Desta forma se aplica a grupos de poder que monopolizam o mercado econômico, político e cultural de um país, mesmo sendo uma a Democracia o sistema político vigente, desse modo aparente. Num exemplo historicamente conhecido desde o Brasil, é exemplo, quando grupos de poder financiam e controlam por interesses escusos próprios a candidatos, parlamentares, representantes dos Poderes e figuras culturalmente expressivas perante a população como líderes religiosos, intérpretes da moda e dos costumes etc, principalmente que ocupem ou venham a ocupar os mais altos cargos dos Três Poderes.

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Joseph Shafan
Enviado por Joseph Shafan em 05/11/2018
Alterado em 06/11/2018
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